O ano era 1974 e o Jackson Five estava no auge dos seu recém encontrado sucesso. Com uma turnê agendada no Brasil que teria sete shows em cinco capitais do país, o grupo criou expectativa e não escondiam a ansiedade de tocar por aqui. “Nós sacudiremos o Brasil. Vocês vão nos adorar mais do que imaginam”, avisava o grupo em entrevista a uma revista pouco antes da chegada no país.

Com dez anos de carreira, a banda chegou ao Brasil no embalo do sucesso mundial e do lançamento de Dancing Machine, nono disco dos irmãos e penúltimo lançado pela Motown, gravadora que lançou o Jackson Five ao estrelato. Os shows aconteceram em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte. Foi o período final de existência do Jackson 5, que já que no ano seguinte deixaria a Motown para assinar com a Epic, mudando o nome do grupo para The Jacksons.

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Jackson 5 em matéria da revista Hit Pop (Reprodução)

No setlist, os irmãos Jackson traziam os maiores sucessos da carreira, como “Never Can Say Goodbye” e “I’ll Be There” e canções do disco Dancing Machine, que estava sendo trabalhado na época. Entre ela, “Life of the Party” e a música que dá título ao álbum. Os megahits “ABC” e “I Want You Back” foram apresentados juntos em um animado medley que surpreendeu o público. Michael Jackson, que já tinha três discos lançados, apresentou “Ben”, canção que dá nome ao seu segundo disco, e “Music and Me” nos shows no Brasil. Para completar o repertório, duas covers de canções de parceiros de Motown: “Superstition” de Stevie Wonder e “Papa was a Rolling Stone” também apareceram nos shows dos Jackson Five no Brasil.

Em entrevistas concedidas durante a passagem pelo Brasil, o Jackson Five se mostrava deslumbrado e confiante com o sucesso fenomenal que alcançaram em tão pouco tempo. “Queremos aperfeiçoar nosso trabalho e talvez aumentar o conjunto. Tudo isso para manter nosso público que nos colocou no lugar dos Beatles. O lugar deles agora é nosso. A prova está na incrível quantidade de de discos que estamos vendendo“, diz Jermaine sobre os planos futuros da banda.

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Entrevista para a revista Hit Pop (Reprodução)

Enquanto a banda mostrava confiança demais, a imprensa brasileira desconfiava mais ainda. A Folha de S. Paulo, que esteve presente na coletiva de imprensa do grupo na capital paulista, publicou matéria em que tocava nos pontos fracos do Jackson Five, tentando caracterizá-los com um produto comercial. Criticou a mudança na voz de Michel Jackson e fatos triviais como a presença dos pais dos garotos durante toda a turnê. O Estadão pegou mais leve, mas não deixou de incluir as críticas ao grupo em matéria sobre a chegada da família e sua equipe a São Paulo.

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Jackson Five em entrevista para a Folha de S. Paulo (Reprodução)

Em terra mineiras o papo era outro: o Jornal de Minas foi um dos poucos a cobrir a passagem do Jackson Five por Belo Horizonte, mas não poupou elogios ao grupo e, principalmente, Michael Jackson.  Segundo o “Jornal de Minas”, o que motivava tanta expectativa pelo show era o “sucesso estrondoso e quase inacreditável” do jovem e talentoso Michael. “Ele está longe de ser o menino de voz fina dos primeiros discos e primeiros shows”, dizia o jornal, que apontou Michael como “um dos maiores artistas do cenário do rock”, quase um prenúncio do título de Rei do Pop que surgiria nos próximos anos.

Durante a passagem pelo país, gravaram um show especial para a TV Tupi, que se estendeu pela madrugada devido a problemas técnicos da emissora. O programa, único registro da passagem dos Jackson Five no Brasil, foi perdido no incêndio que atingiu o prédio da emissora em 78. Apenas 1 minuto e 40 segundos das gravações resistiram ao fogo e encontram-se na cinemateca brasileira, junto ao restante do arquivo da emissora. O Fantástico mostrou as imagens raras em reportagem que foi ao ar em 2009.

* Texto com informações de Museu dos Eventos do Anhembi, Semióticas, Folha de S. Paulo, Estadão e Hit Pop.