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…ou a noite em que o Circo levantou voo

Quem foi ao Circo Voador na noite chuvosa de quinta-feira, dia 17, embarcou em uma jornada comandada pelos australianos do Tame Impala. Em mais de uma hora de show, a banda apresentou o que há de melhor no rock psicodélico atualmente e deixou em êxtase a platéia, que lotava o local.

As turbinas começaram a rodar por volta de onze horas, com a longa introdução da música “Endors Toi”, perfeita para a decolagem. Em seguida, o comandante Kevin Parker manobrou a embarcação com “Solitude is Bliss”, cantada por todos os presentes.

Os efeitos de luzes do show não chegam a impressionar, já que o sistema de iluminação do Circo não permite muita coisa, mas ajudaram a instalar o clima lisérgico no lugar.

A banda emendou canções de seu álbum de estréia “Innerspeaker” e do elogiadíssimo “Lonerism”, com longos solos e pouquíssimas pausas entre uma música e outra. Destaques para “Why Won’t They Talk to Me?”, com seu refrão chiclete e “Elephant”, que fez o Circo enfrentar uma leve turbulência, já que o público não parava de pular.

A primeira parte do show foi encerrada com um medley que misturou as canções “Oscilly”, “Mind Mischief” e “Apocalipse Dreams”. Tudo tão bem ensaiado que os mais desavisados poderiam achar que se tratava de uma música só. A banda reproduz, fielmente, todos os efeitos do estúdio, fazendo com que a experiência do show seja muito parecida com a audição do CD.

A todo o momento, os australianos agradeciam e elogiavam a platéia. Isso é um clichê em qualquer show, porém, eles pareciam realmente curtir o público carioca. Tanto que voltaram para o bis vestindo camisas da seleção brasileira e pareciam não se importar com as diversas invasões ao palco, típicas de shows no Circo.

Para encerrar, o hit “Feels Like We Only Go Backwards” e a mediana “Nothing that Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control”, que proporcionou uma aterrissagem tranquila, sem surpresas. No entanto, algumas pessoas saíram do Circo confusas, talvez pelo jet lag… ou devido a volta à realidade.