The XX no Vivo Rio (RJ)
7,4nota

Música Sem Barulho

Quem foi ao Vivo Rio na última quinta-feira, dia 24, não ficou suado de tanto pular ou rouco por ter cantado a plenos pulmões. No show do The xx, o tom minimalista das canções do trio dita o ritmo.

A apresentação começou por volta de onze horas, com a música “Try”, do álbum “Coexist”, segundo trabalho da curta carreira do grupo. Nela, como na maioria das canções, os vocais de Oliver Sim e Romy Croft se revezam, ou melhor, se complementam. Além da dupla, Jamie Smith, responsável pelas sofisticadas batidas do The xx, hora com instrumentos tradicionais, hora usando bases eletrônicas, completa o trio. Jamie também atua como DJ solo, usando o codinome Jamie xx e, no show, fica evidente que ele é o grande maestro da banda.

A escolha em começar o show com uma canção lenta, até para os padrões do trio, foi um aviso para a platéia relaxar e curtir o som intimista. Em seguida vieram duas composições de xx, elogiado CD de estréia do grupo: “Heart Skipped A Beat”, cantada por todos na platéia, e “Crystalised”, que sofreu algumas modificações, com pausas e arranjos que não constam na versão original, tornando-a, desnecessariamente, mais lenta que o normal.

A partir daí, eles mesclaram músicas de seus dois discos, e ficou claro que as do trabalho de estreia eram as preferidas da platéia. Algumas canções do álbum “Coexist”, como “Missing” e “Swept Away”, são excessivamente vagarosas e, em alguns momentos, dava para ouvir o burburinho do público conversando.

A primeira parte do show terminou com “Islands”, a mais dançante do grupo, seguida por “Chained”, uma das melhores do segundo álbum, e “Infinity”, que teve o final modificado, tornando-a mais agitada e ótima para o encerramento. Lasers reproduziam um grande “X” no palco, imagem replicada nas redes sociais de muitos presentes.

Após alguns minutos de pausa, o bis se iniciou com a excelente “Intro”, música instrumental e uma das mais aplaudidas da noite e “Angels”, que é uma verdadeira declaração de amor na bela voz de Romy Croft.

Em um curto show, de cerca de uma hora, o The xx mostrou que é um dos grupos mais originais da atualidade e que, na maioria das canções, consegue traduzir o seu som único para a apresentação ao vivo. Além disso, provam que, às vezes, menos é mais.

(Foto por Allan Barata)