Que a relação do Black Eyed Peas com o Brasil é muito açucarada todo mundo já sabia. Constantemente a banda faz verdadeiras declarações ao país, especialmente a cidade do Rio de Janeiro, e têm passado por aqui muito mais vezes do que qualquer outra banda internacional. Desde 2004, quando eles vieram pela primeira vez para tocar em São Paulo, os americanos ficaram encantados com a beleza do país e com o público energético que aqui os esperava.

 

A primeira passagem da banda por aqui foi em 2004, com a turnê do disco Elephunk, o primeiro com Fergie e que elevou a banda ao sucesso mundial, impulsionado pelos hits “Shut Up” e “Where is the Love?”. O show aconteceu no Via Funchal, um espaço modesto para o público e a estrutura que o Black Eyed Peas mobiliza hoje em dia. A apresentação foi para a casa cheia e com ingressos esgotados. Nesse show a banda apresentou um cover de “Mas Que Nada”, a versão original, em português, de forma quase que improvisada. Um prelúdio da parceria com Sérgio Mendes que aconteceria anos depois.

Fergie na segunda passagem da banda pelo Brasil (FOTO: Alexandre Cardoso)

O Black Eyed Peas só voltou ao Brasil novamente em 2006, com a turnê do sucessor de Elephunk, o igualmente bem sucedido Monkey Business. A turnê dessa vez foi mais robusta. Se em 2004, os Black Eyed Peas tocaram para 6 mil pessoas, dessa vez o grupo preparou uma turnê com seis paradas em estádios, ginásios e espaços abertos para dar conta da alta procura por ingressos. A Monkey Business Tour passou por Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília no mês de novembro daquele ano. Os shows foram baseados nos dois últimos discos do grupo e nos sucessos do The Dutchess, álbum solo de Fergie que tinha acabado de ser lançado.

Grupo veio ao Brasil pela primeira vez na virada do ano de 2007 (Foto: Thiago Bernardes)

A ausência do Rio de Janeiro nas paradas dessa segunda turnê foi justificada: a banda já havia agendado um megashow na Cidade Maravilhosa na noite de ano novo, no Nokia New Year’s Eve. A banda estava estourada com os hits do CD Monkey Business – como “My Humps”, “Don’t Phunk With My Heart” e “Don’t Lie” (que mais tarde, chegou a virar clipe com cenas do Rio de Janeiro) -, que incendiaram as mais de 1 milhão de pessoas que se aglomeraram na praia de Ipanema para ver o grupo. O show também contou com alguns sucessos de Fergie, como “London Bridge” e “Fergalicious” e levou o músico Sérgio Mendes ao palco para tocar a recém-lançada, e agora bem ensaiada, versão de “Mas que Nada”, remixada e com os vocais da banda.  Eu estava lá e presenciei este show que foi inesquecível para eles e para o público brasileiro. Em meio aquela confusão de multidões, a banda fez todo mundo esquecer dos problemas de 2006 para comemorar a vinda de um novo ano. Simpaticíssimos, eles interagiram o tempo todo com a galera e conseguiram levar a plateia a loucura com muita energia no palco.

Depois disso, a banda não parou mais de vir para o Brasil. No ano seguinte, ela estava de volta para cantar em Porto Alegre em um show único. A apresentação foi promovida por uma marca de refrigerantes que levou a banda para mais 13 países. A parceria resultou em uma música que entrou pra setlist do show, chamada “More”. Na época, a banda estava desde 2005 sem lançar nenhum álbum novo, e por isso a setlist teve foco nos trabalhos solos dos integrantes will.i.am., que lançava o disco Songs about Girls, e o da Fergie.

Black Eyed Peas em sua turnê The E.N.D. World Tour. (Foto: Divulgação)

Após um hiato de apenas dois anos, a banda volta em 2010 para se apresentar em nada menos que nove capitais brasileiras. Eles chegaram com a turnê do álbum The E.N.D., que ficou marcado pela forte pegada eletrônica.

“Acho que o mundo precisa disso. Estamos numa crise econômica séria. As pessoas estão perdendo emprego, casa… É bom oferecer diversão, para esquecer os problemas um pouco. Quem já passou por momentos difíceis sabe disso. Fizemos um disco com muito dance, belas melodias, soul e funk.” – Fergie em entrevista para o jornal O Globo em 2009.

Considerada a turnê mais cara da banda, os shows tiveram um visual completamente futurista e impressionava pelo uso de altas tecnologias, como quatro telões móveis, cinco elevadores no palco principal (sendo que quatro deles seriam utilizados na turnê This is it do Michael Jackson) e uma plataforma que se transforma em uma mesa de DJ. Segundo a assessoria de imprensa do grupo, só o elevador que fazia o cantor Will.i.am ficar suspenso dois metros acima do público custou cerca de três milhões de dólares.

O mais recente espetáculo pop sci-fi segue uma linhagem de shows que remete desde o Rhythm Nation Tour em 1990 da Janet Jackson até algumas turnês mais recentes de alta tecnologia como os de Kanye West e Lady Gaga. Enquanto um dos propósitos das turnês é oferecer aos fãs a presença física e humana da banda, o Black Eyed Peas se mostra como um descarado organismo cibernético pop – e é assim que os fãs gostam deles.Crítica do The New York Times em 26/02/2010.

Neste ano, eles chegam ao festival do SWU com a turnê The Beginning, álbum que segue a mesma linha futurista e eletrônica do anterior, que trouxe sampler de “(I’ve Had) The Time Of My Life”, música que fez sucesso na trilha sonora do filme Dirty Dancing e foi repaginada pelo Black Eyed Peas para o megahit “The Time (Dirty Bit)”. Outros sucessos, como “Just Can’t Get Enough” e “Don’t Stop the Party”, também fazem parte desse CD.

A banda vem enfrentando vários rumores de que desta vez, eles estariam se separando. O cantor Kanye West chegou a dizer em um dos seus shows que a banda irá fazer falta no mundo da música, mas os fundadores da banda, Will.i.am e Apl.de.Ap, já desmentiram os boatos. Will esclareceu que a banda só deve fazer uma pausa após o fim da turnê The Beginning, como eles já fizeram outras vezes.

 

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