Já faz um tempo desde a última edição de um dos maiores festivais que já aconteceu aqui no Brasil, mas, mesmo assim, o Hollywood Rock fez sua história no país e sempre vai ser relembrado pelos ótimos shows (e alguns nem tanto assim) que rolaram por lá.

hollywood rock

O festival, patrocinado pela famosa marca de cigarros “Hollywood”, fez grande sucesso e atraiu os jovens das décadas de 70, 80, 90 para apresentações inesquecíveis, como a do Rolling Stones em 1995 e, claro, o show caótico do Nirvana, em 93. Ao todo, foram 39 anos de história que teve fim em 96 devido à aprovação da lei 9294 que proibiu a propaganda de álcool e cigarros em eventos culturais, impossibilitando outras edições.

A TV Globo tinha total cobertura das edições do Hollywood Rock, mas, mais tarde, a emissora paulista MTV passou a cobrir os bastidores do evento, com reportagens e entrevistas as bandas participantes.

Na época, os preços dos ingressos eram outra coisa. Variavam entre R$ 50,00 e R$ 125,00 (mas na época o valor era em cruzeiros) e não tinham a irritante pista vip, que tanto atormenta os fãs em alguns dos festivais atuais. Das edições também saíram excelentes bootlegs, gravações em áudio ou vídeo dos shows que aconteceram.

A primeira edição a levar o nome do festival foi em 1975 e só continha atrações nacionais, como Raul Seixas, os Mutantes e Erasmo Carlos. Não chegou a ser considerada uma edição oficial, mas rendeu um disco com melhores momentos e, ainda, um documentário chamado “Ritmo Alucinante”, de Marcelo França (1976).

O público teria que esperar por treze anos para ter sua segunda edição (a primeira oficial) em 1988. São Paulo e Rio de Janeiro foram as cidades escolhidas para sediar o evento em oito noites de festa no total. A partir daí, as edições tiveram intervalos pequenos, tendo continuidade em 90, 92, 93, 94, 95 e 96.

Kurt Cobain e o baixista Krist Novoselic no palco do Hollywood Rock. (Foto: Reprodução)

Kurt Cobain e o baixista Krist Novoselic no palco do Hollywood Rock. (Foto: Reprodução)

 

Não dá pra falar do Hollywood Rock sem dar uma atenção especial às escandalosas apresentações do Nirvana na edição de 1993

Não dá pra falar do Hollywood Rock sem dar uma atenção especial às escandalosas apresentações do Nirvana na edição de 1993, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A banda estava no auge e era a atração mais esperada, mas eles não pareciam estar ligando muito pra isso. Em São Paulo, o grupo parecia fora de si e fez covers horríveis e sem sentido de Duran Duran, Iron Maiden e Queen durante a apresentação. “Smell like teen spirit” virou uma versão bizarra com o seu solo de guitarra trocado por um de trompete tocado por Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers, que surgiu do nada no palco. Kurt quebrou instrumentos em um surto e Krist Novoselic, o baixista, chegou a abandonar o palco no meio do show, mas foi obrigado a voltar para não quebrar o contrato. Mais tarde, ele afirmou em entrevista que aquele show foi “a desconstrução da imagem do grupo”. Já no Rio, a banda também não decepcionou nas polêmicas. Kurt cuspiu nas câmeras que faziam a transmissão ao vivo, simulou masturbação no meio do palco, se vestiu de mulher e ironizou a marca de cigarros Hollywood que patrocinava o festival.

No fim das contas, mesmo desastrosas, as apresentações se tornaram tão emblemáticas, que até hoje são relembradas constantemente e se tornaram, na opinião de muitos fãs, uma verdadeira demonstração do grunge. É possível encontrar a gravação do show completo do Rio de Janeiro na internet, mas são pouquíssimas as recordações do de São Paulo, sendo objeto de desejo constante dos fãs. Somente um ano depois, a banda chegaria ao fim com a morte de Kurt Cobain.