Em 1985, o Brasil viu pela primeira vez um grande festival de música. Bastante anunciado pelos meios de comunicação e muito esperado pelo público, o Rock in Rio teve sua primeira edição na cidade do Rio de Janeiro.

Ingresso para um dos dias do festival (reprodução)

A preparação para realizar um evento deste porte não podia ser pequena. E não decepcionou. Roberto Medina, o idealizador do festival, mandou construir uma Cidade do Rock (literalmente) com 250 mil metros quadrados e o maior palco do mundo já construído para abrigar os shows. Só o palco tinha 5 mil metros quadrados de área. Coisa pra caramba, não é? A infra-estrutura contou ainda com dois imensos fast-foods, dois shoppings e uma área que caberia mais de 1 milhão e meio de pessoas – o equivalente a cinco Woodstocks! Quer mais ou tá bom?

Cidade do Rock montada, era hora de começar o show. Não era muito comum a vinda de grandes artistas internacionais para o Brasil e o evento marcou a vinda de muitos ídolos mundiais, sendo um acontecimento até então inédito na história da música por aqui. Do dia 11 ao dia 20 de Janeiro tocaram bandas como AC/DC, Queen, Ozzy Osbourne, WhiteSnake, Scorpions, Yes, Iron Maiden e outras que enlouqueceram os roqueiros de plantão, superando as expectativas.

Folder com a programação do festival (Reprodução)

Foi Ney Matogrosso quem abriu o festival, mas a empolgação só tomou conta de verdade da platéia quando o internacional Whitesnake chegou aos palcos, iniciando o rock’n roll da programação.

Pra quem tem menos de 30 anos é difícil imaginar a dimensão de um festival como esse para a época. Mas quem estava lá conta que sem dúvida foi um dos maiores eventos do Brasil. Meu pai – que é um veterano no quesito Rock in Rio, pois participou das três edições – afirma que presenciou os melhores shows da sua vida nesta edição de 85. Fãzasso de AC/DC, ele nem imaginava que seria possível assistir de perto a banda, mas foi assim que aconteceu.

“Eu lembro que choveu uns três dias seguidos no Rock in Rio, e o chão tava uma lamaceira só. Então as pessoas tavam tentando evitar as poças e aquele monte de lama,pra não voltar todo sujo pra casa e tal. Só que eu e meu irmão, a gente tava acampado lá perto do festival, que na primeira edição muita gente fez isso. Tinha lugar pra isso e tudo… Aí a gente já tinha chegado um pouco atrasado… Eu tava cagando e andando se ia ficar sujo ou não. Enquanto todo mundo tava abrindo aqueles espaços pra não ficar no meio da poça, a gente foi andando pelo meio delas e chegamos lá na cara do palco! Pegamos um dos melhores lugares do show, se bobear!”

Meu pai ainda disse que sem dúvida, as apresentações que nunca vão sair da sua mente são Hells Bells, onde um sino gigantesco desce no palco para tocar, e For those about to rock, que colocou dois canhões, um de cada lado do palco, atirando toda vez que o vocalista gritava “Fire!”. Pra época, esses efeitos nas apresentações eram algo realmente impressionante e marcou a memória de quem presenciou os shows.

http://www.youtube.com/watch?v=b8Pxq5IJjQk

As outras atrações também não fizeram feio. A banda Yes, por exemplo, trouxe seu eletro sinfônico rock progressivo e arrasou no palco dando um show com luzes e lasers iluminando o público. Já o Queen fez história cantando seus maiores sucessos como “I want to break free”, “Bohemian Rhapsody” e “Love of my life”, que arrancou os versos da platéia, deixando o próprio Freddie Mercury surpreso.

As bandas nacionais também chamaram bastante atenção. O Barão Vermelho, que na época ainda tinha Cazuza como vocalista, conseguiu arrancar aplausos dos metaleiros que esperavam por AC/DC e Scorpions. Na época o Brasil ainda estava dando seus primeiros passos para redemocratização na política e o palco e a platéia estavam coloridos com as cores da bandeira do Brasil.

Público de 1985

Público do festival segurando uma bandeira brasileira (FOTO: O globo)

Tá, tem uma última coisa que não pode deixar de faltar nesse post. E aquela musiquinha que não sai de nossas cabeças toda vez que passa uma propaganda ou quando alguém toca no assunto Rock in Rio? Ah, o hino. É, depois que lembra uma vez, fica difícil de tirar da cabeça. Mas diz aí vai, até que é um hino bem legal, e com certeza ele cumpre bem sua obrigação de deixar a gente empolgado com o festival quando ele está próximo de acontecer.

Não sei se você sabe, mas quem canta a música é a banda Roupa Nova e os autores do hino são Eduardo Souto Neto (que também criou o tema do Ayrton Senna, lembra?) e Nelson Wellington.

E você? Tava lá ou conhece alguém que foi e tem história pra contar? Compartilha aí nos comentários!

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