Impressões sobre o Lollapalooza Brasil 2015

Pela segunda vez realizado no Autódromo de Interlagos, o Lollapalooza Brasil mostrou em sua quarta edição que a cada ano consegue melhorar e se firmar como o melhor festival de música no país. Apesar dos problemas de segurança (dezenas de furtos foram registrados e pouca informação era dada aos que tinham celulares e carteiras roubadas), o autódromo serve como um anfiteatro natural que consegue comportar as quase 140 mil pessoas que passam pelos dois dias de festival.

Este ano, alguns caminhos entre os palcos foram resolvidos. Se no ano passado as pessoas invadiam áreas inacessíveis para criar atalhos entre os palcos Onix e o Skol, nesta edição, o festival abriu caminhos mais fáceis de acesso. Mesmo assim, ainda podíamos ver pessoas empurrando algumas barreiras de metal para chegar mais rápido aos palcos. O acesso mais comum ao evento foi novamente o CPTM – trem de superfície de São Paulo – sendo que o caminho da Estação Interlagos até os portões de entrada já era uma caminhada longa por sí só.

Muitas pessoas reclamaram da falta de um line-up mais forte e que poderia lotar o festival este ano. Contudo, as 66 mil pessoas que estiveram presentes no primeiro dia, e as 70 mil, lotação máxima, no segundo, revelaram que nomes como Robert Plant, Jack White, Smashing Pumpkins e até mesmo Pharrel Williams eram suficientes para lotar Interlagos.

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Fitz And The Tantrums

Em sua primeira passagem pelo Brasil, a banda norte-americana conseguiu atrair centenas de fãs à frente do palco Onix a partir das 14h50 da tarde. Podíamos ver pessoas usando a camisa da banda e cantando as letras animadas ao som dançante com forte influência das pistas dos anos 80. O cover de “Sweet Dreams” do Eurythmics foi um momento alto da apresentação. Para quem estava no show apenas com olhares curiosos não conseguiu ficar parado.

Alt-J

Uma das bandas mais intrigantes da atualidade, o Alt-j fez o melhor show no primeiro dia do evento. Tocaram às 16h para um público diverso. A banda composta por Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green levou as canções de pegada eletrônica, por vezes minimalista, por vezes lírica, por vezes incompreensíveis, de seus dois álbuns, An Awesome Wave e This is All Yours.

Skrillex

O rei do Dubstep subiu ao palco Onix às 19h40 e mostrou que a música eletrônica é hoje inseparável dos efeitos visuais. Robôs, alienígenas e problemas de computador dos anos 90 infestavam o megalomaníaco palco. O Dj conseguiu excitar o público em todo a apresentação, que pulava e celebrava os hits de seus álbuns premiados, além de canções pops remixadas por ele e tracks de seu projeto com Diplo, Jack Ü.

Bastille

A banda de Dan Smith mostrou porque era o indie pop mais esperado do primeiro dia. Dezenas de fãs apareciam no telão do Palco Axe chorando a cada música e cantando todas as letras do álbum Bad Blood. Apesar do frontman fazer pose e movimentos de rapper descolado, ele se mostrou um verdadeiro artista pop ao levantar o público até mesmo nas canções mais lentas e “depressivas” como o mesmo destacou.

Foster The People

Em sua segunda passagem pelo país e pela segunda vez no Lollapalooza Brasil, o Foster the People demonstrou amadurecimento e maior presença de palco. Apesar de desfalcado (o baixista Cubbie Fink não estava na apresentação e foi substituído por outro músico para o show), a banda de Mark Foster, lotou o espaço do Palco Skol a partir das 17h35. Se em 2012 grande parte do público para o qual cantaram aguardavam o Arctic Monkeys, este ano o Foster era o grande show esperado para subir ao palco. Trazendo seu mais recente álbum, Supermodel e hits do aclamado Torches de 2011, a banda proporcionou um dos melhores e mais animados shows do segundo dia de festival.

Pharrel Williams

O produtor, rapper, músico e ganhador de Grammys, Pharrel subiu ao Palco Skol às 20h15 como o grande headliner do segundo dia do Lolla Brasil. Já era de se esperar uma performance recheada de hits produzidos por ele, mas consagrados na voz de outros cantores. A surpresa ficou por conta do entusiasmo de Pharrel que não deixava ninguém parado, além de suas dançarinas que davam um show a parte em cada performance. “Get Luck” e “Loose Yourself to Dance”, suas colaborações com o Daft Punk, foram os grandes momentos do show.

FOTOS: Divulgação | Lollapalooza | I Hate Flash