Rock in Rio 30 anos: Como foi

Com 30 anos de história no Brasil, já podíamos esperar que esta edição trouxesse algumas das bandas que fizeram shows marcantes nesta trajetória. Bandas como Queen, A-ha e Metallica acabaram sendo os destaques do festival, que trouxe, além deles, vários outros artistas “repetentes”. A edição de 2015 pareceu ser um remake das últimas edições, com uma line-up de artistas como Rihanna, Katy Perry, Slipknot, Elton John e System of Down.

Faltou um pouco de criatividade? Talvez. A data histórica de 30 anos acabou sendo a justificativa para a pouca variação de artistas e o público, pouco exigente, aproveitou para rever as bandas que estavam em alta há alguns anos atrás. Mas os “Medinas” não ficaram muito preocupados com isso, como Roberto mesmo disse: “Não faço show para o crítico, faço para as pessoas gostarem. Isso aqui é uma festa”. E ele tá errado?

Mas vamos aos shows, que, apesar de serem “figurinhas repetidas”, não fizeram feio. Ao contrário, fizeram jus às suas escalações, consertando erros do passado. Esses foram os que eu assisti.

Queen

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Que banda! Esse eu vi, revi, vi de novo e, provavelmente, verei novamente. Sem o Freddy Mercury é a mesma coisa? É claro que não. Freddy é alma do Queen e, por ter sido o artista incrível que ele foi, não há como apresentar as músicas da banda sem a memória dele. É por isso que não há substituto: Queen + Adam Lambert fazem uma grande homenagem à trajetória da banda, apresentando os maiores hits (e são muitos!) em uma superprodução que inclui imagens do Freddy e a sua maravilhosa voz.

Mas Adam não deixa nem um pouco a desejar. Mostrou estar à altura do desafio com uma voz de potência incrível e uma personalidade inesquecível, que conquistou de vez a plateia, arrancando risadas e até um coro com seu nome.

Esse foi um show capaz de arrancar lágrimas e gritos, indo do coro de “Love of My Life” a clássica “Bohemian Rapsody”, fora as dançantes “Don’t stop me now”, “Under pressure” e “Crazy little thing called love”. O público, que reuniu famílias inteiras, trazendo o avô de 70 anos e o netinho de 7, deu um show à parte, cantando a setlist quase inteira e mostrando porque o Queen é, e sempre será, tão grande no mundo.

Sam Smith

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Há quem não goste de música de fossa, mas a voz do Sam Smith é algo indiscutível quanto a talento e potência. Particularmente, fiquei maravilhada ao vê-lo ao vivo e perceber que o que escutamos no álbum é exatamente o que escutamos pessoalmente. O show começou com a balada “I’m not the only one”, já esquentando o público e transformando o Rock in Rio em um grande coral emocionado.

Sam trouxe sua simpatia (e um pouco de timidez) para o palco, empolgando até mesmo quem só conhecia os hits. Somente com o álbum “In the lonely hour”, o show foi engordado com alguns covers, como “Tears dry on their own” de Amy Winehouse, “Can’t help falling in love” de Elvis Presley e “Ain’t no money high enough”, de Marvin Gaye. As parcerias com o Disclosure e com o britânico Naughty Boy também apareceram na setlist, com “Latch” e “La la la”. Só senti falta de “Omen”, também de parceria com o Disclosure, que eu adoro.

Rihanna

Desta vez a espera foi pequena (Ainda bem!). Apenas meia hora após o previsto, a cantora apareceu no palco, já causando com a roupa, que, mais tarde, virou um meme de um saco plástico amarelo, compartilhado pela própria Rihanna no Instagram. Muito mais sociável e aparentando estar animada com o público do show, ao contrário da edição de 2011, Rihanna conversou, dançou e até se impressionou com o coro afinado da plateia, que sabia a letra de músicas desde “Jump” e “Cake” às mais famosas, como “Only Girl”, “Umbrella” e “Take a bow”.

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Com vários hits na carreira, a cantora preferiu dar uma encurtada nas versões, fazendo um grande pot-pourri das músicas, especialmente na primeira metade do show. A impressão que deu é que o show foi corrido e foi inevitável que os fãs sentissem uma leve decepção por não terem cantado grandes sucessos, como “What’s my name”, “Rude Boy” e “We found love”, inteiros. De qualquer forma, o vozeirão e a animação da cantora compensaram a falta de mais minutos no show, deixando na memória dos fãs uma lembrança ainda melhor do que aquela de 2011.

Katy Perry

Ok, esse eu vi só na TV, admito. Mas abro uma exceção para comentar aqui, já que este foi o show com a maior produção da edição de 2015. Com muitos leds, dançarinos fantasiados e grandes cenários, que produziam efeitos incríveis, o show da Katy foi, praticamente, a cereja do bolo do Rock in Rio. Faltou um pouco de fôlego, convenhamos. Mas Katy dá um show de interação com o público, mesmo que a menina escolhida para subir no palco (Raiaiaiá!) seja um pouco sem noção.

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Foi um pouco difícil não ver a dificuldade da cantora para cantar e dançar no início do show, coisa que outras cantoras conseguem fazer no chinelo. Mas a gente sabe que não é fácil. Os momentos de deslize na afinação foram compensados nas canções mais lentas de “The one that got away” e “Unconditionally”. Os figurinos, com direito a muitas perucas coloridas, foram, também, um show à parte. Não faltou animação do público, claramente adolescente, nas músicas “Dark Horse”, “Kissed a girl” e “Teenage Dream”. Pra terminar, claro, veio “Firework”, fechando a edição com um show de fogos de artifícios no palco e no céu.